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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Como fazer qualquer computador inicializar ou desligar numa hora marcada

O Windows, o Mac OS X e o Linux, todos eles permitem agendar o arranque, suspender e desligar o computador. Pode ter o seu PC a ligar automaticamente na parte da manhã e a encerrar automaticamente à noite, se quiser.

Hoje em dia, isto já não é tão necessário, graças ao modo de suspensão (sleep mode) - um laptop típico entra automaticamente em modo de baixo consumo, quando não está a ser usado, que pode rapidamente retomar o modo normal - mas ainda pode ser útil para PCs desktop.

Windows

O Windows permite definir horas para inicializar e desligar, através do Programador de Tarefas (Task Scheduler). Uma tarefa agendada pode executar o comando shutdown e desligar o seu computador num momento específico. Também pode executar outros comandos para colocar o computador em modo de suspensão ou hibernação. Aqui estão os comandos que você vai precisar:

  • Desligar: shutdown.exe -s -t 00
  • Hibernar: rundll32.exe powrprof.dll,SetSuspendState
  • Suspender: rundll32.exe powrprof.dll,SetSuspendState 0,1,0

Através da “magia” do Programador de Tarefas, o Windows pode até esperar que não esteja a usar o computador, para o desligar. O PC não será automaticamente desligado, enquanto o estiver a usar, como, p.ex., se ficar a trabalhar até um pouco mais tarde, à noite.

Também pode criar tarefas agendadas para despertar o computador do “sono”. Assumindo que o seu computador está em suspensão ou hibernação (e não totalmente desligado), basta definir uma tarefa agendada com a opção “Ativar o computador para executar esta tarefa” selecionada.

Mac OS X

Num Mac, esta opção está disponível nas Preferências do Sistema (System Preferences). Clique no menu Apple, selecione Preferências do Sistema e, em seguida, clique no ícone de Economia de Energia (Energy Saver). Clicando no botão Agendar (Schedule), pode escolher as opções para agendar um arranque, desligar, reiniciar ou colocar em modo de suspensão.

Se tiver um MacBook, o arranque agendado só ocorrerá quando o computador estiver ligado à corrente. Isto evita o consumo da bateria e garante que o seu laptop não vai decidir arrancar quando está dentro da mala, pousado em algum lugar.

Linux

O comando rtcwake permite agendar arranques no Linux. Este comando coloca o computador em suspensão, hibernação, ou desliga-o, ao mesmo tempo que permite especificar o momento em que deve despertar novamente. Pode executar o comando rtcwake apropriado, quando estiver a ir para a cama, para o computador reiniciar automaticamente, à hora desejada.

O comando rtcwake também pode ser usado para agendar apenas um tempo de inicialização, sem colocar imediatamente o computador em sleep-mode. Pode executar as suas tarefas e depois desligar ou suspender o computador, que este vai acordar na hora desejada.

Para automatizar totalmente estas tarefas, pode criar um ou mais cronjobs que executam o comando rtcwake num momento específico.

Wake-on-LAN

Todos os tipos de computadores podem aceitar comandos “mágicos” de "Wake-On-LAN" (WoL). O suporte para WoL é incorporado num computador ao nível do firmware de BIOS ou UEFI, por baixo do próprio sistema operativo. Ao usar o WoL, um computador que está desligado ou em sleep-mode, continua a fornecer energia ao seu interface de rede. Geralmente este é uma conexão Ethernet com fio, mas também pode configurar um computador para aceitar pacotes WoL enviados através de Wi-Fi. Quando se recebe um pacote devidamente configurado, vai reiniciar o computador de volta.

Essa opção está geralmente activada por padrão nos computadores desktop, mas não deve ser activada em computadores portáteis para economizar a bateria - especialmente com interface Wi-Fi.

Após ter o WoL a funcionar, pode configurar um dispositivo para enviar pacotes WoL para outros dispositivos, num dado horário. Por exemplo, podemos usar um router, com DD-WRT, para enviar pacotes WoL, segundo uma agenda, permitindo que possa acordar qualquer dispositivo ligado ao seu router e configurar todos os tempos de activação  no mesmo lugar.


Por padrão, a maioria dos computadores irá colocar-se automaticamente em suspensão ou hibernação após um determinado período de tempo sem estar a ser usado. Se quiser que o seu computador se mantenha a funcionar, mesmo quando não está a usá-lo, tem que alterar as configurações, para que ele não vá entrar em sleep-mode automaticamente.

Tradução livre do artigo "How to Make Any Computer Boot Up or Shut Down on a Schedule", de Chris Hoffman para a How-To-Geek.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Porque a Microsoft adora o Linux

Algumas coisas não ficam bem juntas: cães e gatos, fãs do Real Madrid e do Barcelona, Windows e Linux, ... ou não é?

Em São Francisco, o CEO da Microsoft, Satya Nadella disse, e citamos, "A Microsoft adora o Linux".

Uau!

Percorreu-se um longo caminho desde que Steve Ballmer proclamou, em 2001, que "o Linux é um cancro". Nos anos que se seguiram, a Microsoft realmente atacou o Linux como se fosse um cancro, fazendo de tudo para o exterminar, desde patrocinar o ataque da SCO aos direitos de copyright do Linux, afirmar que o Linux violava patentes sem nome da Microsoft, até intermináveis ataques FUD.

Então, como é que o Linux passou de inimigo número um da Microsoft para seu "amor"?

Na realidade, Nadella explicou o cerne da questão, que podemos resumir na abordagem clássica duma história de detectives: "basta seguir o dinheiro".

Nadella disse à revista Wired que não está interessado em prosseguir com velhas lutas, especialmente quando, goste-se ou não, o Linux se tornou uma parte vital da tecnologia de hoje. "Se não abraçar a novidade…", disse ele, “…não vai sobreviver".

Ao fim de 22 anos, não há nada de realmente novo no Linux. Mas duas coisas são novidade: em primeiro lugar, o futuro do lucro da Microsoft não recai agora nos desktops ou nos programas desktop, mas no Azure, a sua solução cloud e em programas baseados em cloud, como o Office 365. Em segundo lugar, o Linux, mesmo na cloud Azure, é usado tanto por grandes como pequenas empresas e organizações.

Na verdade, Nadella admitiu que 20 por cento dos sistemas operativos no Azure são Linux. O sistema operativo open-source já contribui muito para a linha base da Microsoft. Hoje, o Azure ainda não suporta as distribuições comerciais Linux de topo, como o Red Hat Enterprise Linux, mas já suporta CoreOS Linux, CentOS, Oracle Linux, SUSE e Ubuntu.

Ao mesmo tempo, a Microsoft está consciente de que o Azure é o único sistema de nuvem puramente proprietário, em funcionamento. Todos os seus concorrentes - Amazon Web Services, Google Compute, OpenStack, etc. – correm em Linux e oferecem serviços de servidor Linux. Tivesse a Microsoft insistido apenas na linha Windows ou na linha de mais alto desempenho e não teria hipóteses.

Não é só o Linux que a Microsoft ama. Depois de décadas de resistência, a Microsoft suporta uma variedade de programas de código aberto, como o Hadoop (big data), Docker ou o Projecto Open Comute da Facebook. Na verdade, a Microsoft está mesmo a a abrir as suas próprias tecnologias ao open-source, tais como partes da Framewrok .Net.

A Microsoft também faz dinheiro diretamente com o Linux. As suas patentes Android, por muito questionáveis​​ que possam ser, ainda proporcionam mil milhões de dólares de receita a mais que o Windows Phone.

Se esteve com atenção, deve ter reparado que a Microsoft começou a mudar a sua atitude anti-Linux há anos atrás.

Já em 2008, Sam Ramji, na altura diretor de Estratégia de Plataforma de Tecnologia, da Microsoft e do Open Source Software Lab da empresa, disse: "A estratégia de código aberto da Microsoft está focada em ajudar os seus clientes e parceiros a serem bem sucedidos no mundo de hoje, de tecnologia heterogénea".

Podia-se ter pensado que era apenas a Microsoft a lançar fumo. Mas, de seguida, a Microsoft começou a mostrar que não estava apenas a falar por falar quando se tratava de desenvolvimento open-source.

Em 2011, a Microsoft já era o quinto maior contribuinte de código para o kernel do Linux. O que é que eles estavam a fazer? A certificar-se que o Linux poderia trabalhar com a virtualização da Microsoft – o Hyper-V. E o Hyper-V está no coração de Azure.

Como se pode ver, a paixão da Microsoft não é tanto pelo Linux e pelos sistemas open-source em si. O facto é que, em 2014, o mundo está a deixar o velho paradigma de computação desktop/aplicação e a dirigir-se para para uma abordagem de dispositivo/ serviços de nuvem. A Microsoft dirigiu o antigo. No entanto, para continuar a ser um competidor no novo paradigma, a Microsoft já percebeu que necessita trabalhar e jogar bem com os outros. Sim, mesmo até com o Linux.

 

Tradução livre do artigo “Why Microsoft loves Linux, de Steven J. Vaughan-Nichols, para a ZDNet.